“O vice de Lahésio Bonfim sairá do Agir 36”

O Blog do Wellington Rabello realizou, nesta semana, uma entrevista com o inspetor da PRF, escritor, vice-presidente estadual do partido Agir 36 (ex-PTC), Antonio Noberto.

Nosso entrevistado tem um currículo invejável. Ele é membro-fundador e ex-presidente da Academia Ludovicense de Letras de São Luís (ALL), doutor Honoris Causa em História pela Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes (Febacla), embaixador da paz pela Organização Mundial dos Defensores dos Direitos Humanos (OMDDH), membro-fundador do Conselho Comunitário de Defesa Social da zona rural de São Luís (CCDS), assessor de comunicação da PRF mais bem avaliado do Brasil, segundo vice-presidente da Cruz Vermelha no Maranhão (licenciado), idealizador e curador da exposição França Equinocial para Sempre, projeto vencedor do Prêmio Cazumbá de turismo 2012, na categoria Melhor Evento Cultural voltado para os 400 anos de São Luís. Noberto representa hoje um link com o exterior, ou o que sobrou do próspero relacionamento Maranhão – Europa. verificado em outros séculos. O nobre ludovicense (recebeu o título de cidadão em 2017, agraciado pelo vereador Marcial Lima) falou para o Blog do Wellington Rabello, revelando um pouco mais do seu lado acadêmico, sócio-cultural e político. Confira, a seguir.

WELLINGTON RABELLO – Quem é o Antonio Noberto?

ANTONIO NOBERTO – Um sonhador, uma pessoa muito simples que sempre investiu o pouco que tem na utopia possível de um mundo melhor, mais coletivo e mais justo. Minha obra é coletiva, um reflexo verdadeiro do que aprendi por onde passei, especialmente na igreja católica, onde fiz a Primeira Comunhão e iniciei a Crisma e, a partir dos 16 anos, na igreja evangélica, quando me decidi e entendi a importância e o digno ministério de servir ao próximo.

WR – Como é esse coletivo, servir ao próximo…? Explique melhor…

AN – É normal e justo que as pessoas vivam para a sua família, crie seus filhos, se dediquem ao seu trabalho e cumpram sua missão na terra. Mas é importante saber que algumas pessoas fazem isso e se dedicam também às causas que abarcam mais pessoas, são ativas em movimentos sociais, na igreja, na comunidade e em diversas outras causas. Isto foi bem sintetizado na fala do Mestre dos mestres, Jesus Cristo, que respondendo a uma fala de um seguidor que disse: “Mestre a tua mãe e os teus irmãos querem te ver”. Ao que Jesus respondeu apontando para a multidão: “Minha mãe e meus irmãos são todos aqueles que ouvem as palavras de Deus e as obedecem”. Eis a entrega a uma causa. É nisto que acredito.

WR – Você foi em votação interna o comunicador da PRF mais bem avaliado do Brasil e é um dos mais antigos. Qual o segredo do sucesso?

AN – É ser simples, despojado, acreditar, confiar em quem está à sua volta. Relevar as questões menores e focar no lado bom do ser humano, isto é essencial para as relações duradouras. O filósofo Sêneca, que viveu no período de Cristo, dizia que “Nenhum vento será favorável para o marinheiro que não sabe para onde quer ir”. Estar decidido é muito importante para conseguirmos nossos objetivos. E tem mais, eu tive um professor da Ufma, Luiz Antonio Pinheiro, que dizia para outros mestres que o Noberto era um visionário, ou seja, eu conseguia ver o que ninguém via. Esta virtude é uma das minhas molas propulsoras.

WR – Falando em “ver o que ninguém ver”, tem um vulto que aparece em uma gravação sua com o jornalista Marcos Davi, no túmulo de Aluísio Azevedo. O que você acha que foi aquilo?

AN – Aquilo foi legal. Gosto desta temática mística… Me considero um pouco místico. Já visitei o túmulo de Chico Xavier, em Uberaba/MG; e de Alan Kardec, no Père-la-Chaise, em Paris. Mas não sou espírita. Sou um cristão que gosta de alguns temas não tão convencionais e de quebrar tabus. Existe um outro mundo paralelo, que não conseguimos ver por olhos humanos, mas por meio da fé.

WR – Você e a Dra. Ana Luiza Almeida Ferro são os maiores defensores da França Equinocial. Por que do apego de vocês a esta história?

AN – A Europa, apesar dos pesares, continua sendo a nossa mãe, seja pelo lado luso ou pelo lado gaulês. Faz algumas décadas que a França vem sendo injustamente apedrejada. E isto aconteceu porque a ganância nacional e estrangeira descobriu que nos separando dos nossos tesouros históricos ficava mais fácil tomar nossas riquezas. Desde então, começaram a detonar a Europa e o seu legado no Brasil. Houve uma dilapidação da riqueza ligada ao conhecimento e à ética. Tesouros como a Atenas brasileira e a França Equinocial passaram a ser bombardeados pela ganância através da mídia e da academia. Enquanto nos desviaram da intelectualidade, preenchiam o nosso cérebro e a nossa alma com banalidades e futilidades. Foi assim que reduziram a Atenas a uma mentira e a França Equinocial foi chamada de mito. Os acadêmicos dando uma contribuição para a destruição da nossa rica história, quando o Maranhão era uma das cinco províncias mais ricas do país e São Luís era a quarta cidade brasileira.

Sou um defensor assíduo da França Equinocial porque foi o período mais bonito do Brasil colonial, quando católicos, protestantes e tupinambás conseguiram viver um sonho aqui no nosso país. Esta mistura exótica para a época deu errado em todo o mundo, mas no Maranhão deu certo. Os franceses merecem o nosso respeito e admiração porque nos trataram bem, fizeram o primeiro conjunto de leis das Américas para proteger a comunidade local. É por isso que, apesar de toda política contrária, este momento da nossa colonização nunca morreu no coração dos maranhenses. O grande historiador e escritor Mário Meireles certa vez disse que “A maior presença de franceses no Maranhão é a prova material de que a França Equinocial nunca acabou”.

WR – Você defendeu a história do Maranhão na presidência da Academia Ludovicense, né?

AN – Sim. Foi uma boa oportunidade de mostrar que a nossa redenção passa pela apropriação coletiva dos períodos de riqueza. Precisamos de um revival, precisamos entender que a Praça Pedro II foi o primeiro pedaço de Brasil colonizado nesta terça parte do país. Não é à-toa que ela concentra o poder estadual, municipal e eclesiástico. O poder político está ali.

WR – Falando em política, percebe-se que o PSC vem apresentando o nome do vereador Dr. Gutemberg para uma possível chapa pura do partido. Você tem observado esta movimentação?

AN – Sim. O meu partido, o Agir36 está atento a tudo isto, mas estamos tranquilos, pois o vice de Lahésio Bonfim sairá do Agir 36. Isto foi informado por Lahesio Bonfim em um evento recente do Agir36 em Imperatriz; e, um pouco antes, em Brasília, durante reunião com o presidente nacional do partido, Daniel Tourinho.
Todos sabem que Lahésio estava filiado e presidindo o Agir36, que o recebeu muito bem e lhe deu carta branca para fazer o que precisasse ser feito. Mas o nosso pré-candidato a governador, por decisão própria, resolveu fechar com o deputado federal Aluísio Mendes e se filiar ao PSC. Ao final, Lahésio acertou com o presidente nacional que o Agir indicará o candidato a vice-governador, e o nome que o diretório estadual e nacional ungiu é o nome do Inspetor Noberto, o meu nome, portanto.

Algo diferente do combinado seria uma péssima sinalização ao eleitorado, que aspira por renovação. Seria um sinal ruim para o futuro, pois o nosso estado entrou na zona do rebaixamento sócio-econômico em razão da prevalência de interesses localizados. Por outro lado, conheço o Aluísio (Mendes). Ele é meu colega policial federal, que tem servido bem ao Maranhão, é um diplomata, um homem político que não vai cercear o espaço do Agir36, que é um partido parceiro e de primeira hora. O Dr. Gutemberg é um cristão, educado e experimentado na política. Mas ele sabe que chegou há pouco no grupo, enquanto o Noberto já caminhava com o Lahésio nos tempos das vacas magras, comendo o ximbé e a ossada. Além do mais tenho ajudado o nosso companheiro Lahésio abrindo portas de várias formas.

WR – O seu nome tem algum diferencial em relação a outros possíveis pretendentes a vaga?

AN – Meu nome é novo e, portanto, sem desgaste político. Sou conhecido em todo o estado e respeitado pela população. Fui segundo vice-presidente da Cruz Vermelha no Maranhão, ex-presidente da Associação Brasileira dos Bacharéis de Turismo (ABBTUR/MA), me licenciei recente do Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais no Maranhão (SINPRF/MA), sendo eleito com 100% dos votos de Imperatriz, 100% dos votos de Balsas, 90% dos votos de Caxias e por aí vai. Sou membro-fundador e ex-presidente da Academia Ludovicense de Letras de São Luís (ALL), onde fiz um trabalho bonito e de valor da história do Maranhão e da sua capital. Capitaneei pela PRF em parceria com o Dnit e com o Conselho Comunitário de Defesa Social da zona rural de São Luís (CCDS) um trabalho de suma importância para a nossa capital, a pacificação da BR-135, no trecho compreendido na Ilha de São Luís. Foi um trabalho de muita luta, muitas andanças e conversas com as lideranças comunitárias, mas com um grande resultado. Muitos lembram como o nosso único acesso rodoviário era complicado. Tinha interdição toda semana. E nós, com diálogo e intermediando as situações conseguimos liberar a rodovia. Este trabalho me favoreceu o recebimento do título de “Embaixador da paz”, oferecido pela Organização Mundial dos Defensores dos Direitos Humanos (OMDDH).

E, por último, faço há mais de vinte anos um importante link do Maranhão com o exterior, expertise que nos conferiu no passado o status de província mais rica e destacada da região em outros séculos. Sou o primeiro e único ludovicense que fez uma visita oficial à cidade natal de Daniel de la Touche, fundador de São Luís. Foi em outubro de 2019, em Berthegon, no Poitou, onde ministrei palestra sobre a relação histórica França-Maranhão. Na mesma viagem representei a ALL em evento na Câmara Municipal de Setúbal, cidade natal de Fran Paxeco, fundador da AML e da faculdade de direito do Maranhão. Em 2012, apresentei a exposição França Equinocial para sempre, trabalho vencedor do Prêmio Cazumbá de turismo naquele ano, na categoria Melhor evento cultural voltado para os 400 anos de São Luís. Nesta missão, tive que me desfazer de um patrimônio pessoal, um apartamento no condomínio Grand Park para custear as viagens de pesquisa na Europa e realização da Exposição, que ao final me custou mais de R$ 100 mil àquela época. Detalhe: não entrou um centavo de dinheiro público. Agora, estou visitando no norte e nordeste as cidades que no passado formaram a França Equinocial, e estou descobrindo que o Maranhão tem um público fiel e de grande valor que se bem trabalhado poderá nos colocar novamente no topo da liderança nesta parte do Brasil. Mas este é um outro assunto…

WR – Para finalizar: Lahésio Bonfim vai para o segundo turno?

AN – A pergunta deveria ser: quem vai para o segundo turno com o Lahésio? (risos). No Maranhão, em cada roda de dez pessoas, quatro ou cinco votam no Lahésio. O homem é uma potência, um ser humano fantástico, experimentado pela vida sofrida, um grande guerreiro espartano, talhado para tirar o nosso sofrido estado da última posição e colocá-lo no lugar merecido. A missão de Lahésio Bonfim é colocar a máquina nos eixos, promover a educação, gerar empregos e tornar mais fácil a vida do povo. E o Noberto, seu fiel escudeiro, vai ajudá-lo nesta missão.

A seguir, uma sequência de fotos que mostram a popularidade do Inspetor Noberto e seus feitos como ferrenho defensor da relação histórica França-Maranhão.

Noberto, fazendo a doação de 12 imagens da França Equinocial à prefeita de Berthegon
Na Câmara Municipal de Sétubal, Noberto entrega o diploma de membro-correspondente a Rosa Machado, neta de Fran Paxeco
Em Búzios, no Rio de Janeiro, por ocasião do recebimento do troféu Monteiro Lobato, na categoria Melhores pesquisadores do Brasil
Noberto discursando na Câmara Municipal de São Luís, durante sessão na qual foi agraciado com o título de Cidadão Ludovicense
Noberto, que é conhecido como “o amigo da imprensa”, concede entrevista ao jornalista Soares Júnior, na TV Mirante

Fonte: Jornal Pequeno

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