O conto dos “100 prefeitos”: a maior ilusão política que Fufuca vendeu a Braide

Se existe uma história que começa a perder força à medida que os fatos aparecem, é a narrativa dos supostos cem prefeitos que teriam acompanhado André Fufuca em sua aliança com Eduardo Braide.

Nos bastidores da política maranhense, a conta apresentada era simples: Fufuca chegaria trazendo uma robusta estrutura municipalista, algo que Braide nunca conseguiu construir de forma consistente ao longo de sua trajetória política. Em troca, o prefeito da capital ofereceria a musculatura eleitoral de São Luís e sua força nas pesquisas.
Parecia um negócio perfeito.
Mas a realidade começou a desmontar a propaganda.
Nas últimas semanas, prefeitos apontados como integrantes desse grupo passaram a gravar vídeos, conceder entrevistas e fazer declarações públicas deixando claro que não pretendem subir em palanque com Eduardo Braide. Alguns foram ainda mais diretos: afirmaram que caminham politicamente com Orleans Brandão e que somente participariam de um projeto liderado por Fufuca caso este estivesse alinhado ao candidato do grupo governista.
O recado foi dado sem rodeios.
Apoiar Fufuca para o Senado não significa apoiar Braide para o Governo.
E é justamente essa diferença que começa a gerar desconforto dentro do projeto oposicionista.
Afinal, o que foi entregue a Braide?
Uma estrutura política real ou uma expectativa superdimensionada?
Porque uma coisa é reunir prefeitos para gravar vídeos de apoio a uma candidatura ao Senado. Outra completamente diferente é transformar esse apoio em palanque, militância, articulação local e pedido de votos para governador.
A política maranhense sempre funcionou assim.
Prefeitos podem ter relações institucionais, pessoais e políticas com várias lideranças ao mesmo tempo. O teste de fidelidade, porém, acontece quando chega a eleição majoritária.
E é exatamente nesse momento que a narrativa dos cem prefeitos começa a apresentar rachaduras.
A cada nova manifestação pública, cresce a percepção de que grande parte desses gestores continua politicamente vinculada ao grupo liderado pelo governador Carlos Brandão e vê em Orleans Brandão a continuidade natural desse projeto.
O resultado é que a tão falada transferência de apoio parece cada vez mais uma operação de marketing político do que uma migração efetiva de forças.
Nem todos os prefeitos estão nessa posição, evidentemente. Há gestores que podem acompanhar André Fufuca em qualquer cenário. Mas o problema para Braide não está na exceção. Está na maioria.
E é justamente essa maioria que vem demonstrando, dia após dia, que não pretende trocar Orleans por Braide.
Diante desse cenário, uma pergunta inevitável começa a ecoar nos corredores do poder:
Braide caiu no conto do vigário?
Ou caiu no conto dos cem prefeitos?
Porque, até aqui, os números apresentados não estão se convertendo em palanques. E, em política, existe uma diferença enorme entre ter prefeitos numa lista e ter prefeitos ao seu lado durante uma campanha.
No papel, os cem prefeitos impressionam.
Na prática, muitos deles já deixaram claro onde pretendem estar quando a disputa pelo Governo do Maranhão realmente começar.
E, pelo que se vê até agora, esse lugar não parece ser o palanque de Eduardo Braide.

Por isso, a pergunta que começa a circular cada vez mais forte nos corredores do poder é inevitável:
Braide recebeu, de fato, cem prefeitos?
Ou recebeu apenas a promessa deles?
Porque, até agora, o que se vê é uma sucessão de prefeitos dizendo e gravando vídeos afirmando que caminham com Fufuca para o Senado, mas que só aceitariam caminhar para o Governo ao lado de Orleans Brandão.
Se essa percepção se consolidar, o que parecia ser a maior conquista política de Eduardo Braide pode acabar entrando para a história como o mais famoso conto da pré-campanha maranhense: o conto dos “SEM” prefeitos.

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