Na política, não basta conquistar aliados. É preciso mantê-los, mas isso não é e nunca será o forte de Fufuquinha.
Ao longo de sua trajetória, André Fufuquinha construiu uma carreira marcada por crescimento contínuo, ocupação de espaços estratégicos e aproximação dos centros de poder. Mas existe outro aspecto de sua caminhada que também chama atenção: a quantidade de ex-aliados que hoje o apontam como alguém que prioriza o próprio projeto político acima de qualquer compromisso coletivo.
Seus apoiadores chamam isso de independência.
Seus adversários chamam de deslealdade.
Os fatos estão registrados na história política recente do Maranhão.
A deslealdade a Waldir Maranhão
Para muitos observadores, o primeiro grande episódio ocorreu com o ex-deputado federal Waldir Maranhão.
Waldir foi uma das lideranças que abriram espaço político para o crescimento de Fufuca. Durante anos, ambos estiveram no mesmo campo político e partidário. Com o tempo, porém, o fortalecimento de Fufuca dentro da estrutura partidária coincidiu com o esvaziamento do poder político de Waldir.
Nos bastidores, aliados do ex-deputado nunca esconderam o sentimento de que foram abandonados justamente quando mais precisavam de apoio.
A leitura de seus críticos é simples: Fufuca cresceu na estrutura construída por Waldir e, quando atingiu musculatura suficiente, passou a ocupar espaços antes controlados pelo antigo aliado.
Para muitos, foi ali que nasceu a fama de político que não olha para trás.
A deslealdade ao bolsonarismo
Em 2022, André Fufuca participou ativamente do campo político alinhado ao então presidente Jair Bolsonaro.
Subiu em palanques, participou de atos e buscou votos dentro daquele segmento do eleitorado.
Pouco tempo depois, entretanto, passou a integrar o governo Lula como ministro de Estado.
É evidente que a política permite alianças amplas e reconfigurações. Porém, para lideranças bolsonaristas, o movimento foi visto como uma mudança radical de posicionamento.
Até hoje, adversários utilizam esse episódio para sustentar que Fufuca não possui compromisso ideológico, mas apenas compromisso com a preservação do próprio espaço de poder.
A deslealdade ao grupo Brandão
O caso mais recente é justamente aquele que mais repercute atualmente.
Durante anos, André Fufuca integrou a base política do governador Carlos Brandão.
Recebeu prestígio, espaço institucional, influência nacional e participou das articulações que consolidaram o grupo governista em diversas regiões do estado.
Entretanto, quando o cenário sucessório começou a ganhar forma, optou por construir uma alternativa própria, aproximando-se de Eduardo Braide.
Nos bastidores do Palácio dos Leões, a avaliação de muitos aliados é que o rompimento não foi uma surpresa, mas apenas uma questão de tempo.
A percepção é que Fufuca sempre teve um projeto pessoal para o Senado e que, diante da possibilidade de ampliar suas chances eleitorais, não hesitou em se afastar do grupo que o ajudou a chegar ao patamar político atual.
A deslealdade que agora preocupa Braide
É justamente esse histórico que gera desconfiança em parte da classe política.
Se houve rompimento com Waldir Maranhão.
Se houve mudança de rota em relação ao bolsonarismo.
Se houve afastamento do grupo Brandão.
A pergunta que muitos começam a fazer é inevitável:
O que garante que o atual alinhamento com Eduardo Braide será diferente?
A dúvida cresce ainda mais quando se observa a polêmica envolvendo os chamados cem prefeitos.
O apoio prometido como grande ativo da aliança vem sendo questionado por declarações públicas de gestores municipais que afirmam não ter compromisso com a candidatura de Braide ao Governo do Estado.
Muitos deles continuam vinculados politicamente ao grupo dos Leões e deixam claro que enxergam Orleans Brandão como seu candidato natural.
Ou seja, o principal patrimônio político apresentado por Fufuca na construção da aliança começa a ser colocado à prova pela realidade.
O teste da confiança
Toda trajetória política produz admiradores e críticos.
Mas poucas características são tão valiosas quanto a confiança.
Votos se recuperam.
Pesquisas oscilam.
Alianças mudam.
A confiança, quando se perde, raramente volta a ser a mesma.
Por isso, mais importante do que discutir quem está certo ou errado é observar os fatos.
E os fatos mostram que André Fufuca acumulou, ao longo da carreira, uma sequência de rompimentos que hoje alimenta dúvidas dentro e fora dos grupos políticos dos quais participou.
A questão que ficará para 2026 é simples:
Eduardo Braide encontrou um aliado de primeira hora ou apenas o mais fato de uma história que o Maranhão já viu acontecer outras vezes?
Enquanto uns jogam dama, outros jogam xadrez, não é isso?
Quem ditará as cartas desta vez?
Os prefeitos?
Os Leões?
As tramas dos bastidores?
Ou o povo?
Fufuca é bom personagem para uma novelinha mexicana, com muito drama, trama e suspense é um ótimo politiqueiro. Tem muitos pontos fracos, basta ver alguns de seus “migles”. Tá muito cedo pra perder o poder, mas ele já está muito rico, isso deveria bastar?
