O escândalo que desmontou a estrutura política de Turilândia ganhou dimensão nacional neste domingo, 4, ao ser exibido em reportagem especial do Fantástico, da TV Globo. O município maranhense passou a ocupar o noticiário do país como exemplo extremo de colapso administrativo provocado por um esquema milionário de corrupção.
A matéria escancarou uma cidade sem comando logo no primeiro dia útil do ano. Prefeitura e Câmara Municipal estavam vazias após a operação do Ministério Público que resultou na prisão do prefeito Paulo Curió, da vice-prefeita Tânya Mendes, dos 11 vereadores e de aliados políticos, somando 21 investigados detidos. Executivo e Legislativo ruíram juntos, deixando o município paralisado.
Segundo as investigações, pelo menos R$ 56 milhões foram desviados dos cofres públicos desde 2021 por meio de licitações fraudadas, empresas de fachada, notas fiscais frias e pagamento de propinas. O Fantástico exibiu áudios, mensagens e sinais claros de enriquecimento dos envolvidos, enquanto a população convive com uma realidade dura, marcada pela falta de serviços básicos. Cerca de 75% dos moradores vivem sem saneamento.
A reportagem também mostrou a solução adotada pela Justiça para evitar o colapso total da administração. Vereadores presos receberam autorização para despachar em regime de prisão domiciliar, medida inédita que expõe o nível de desorganização institucional deixado pelo esquema. Moradores relataram o impacto social dos desvios e episódios de intimidação, inclusive contra a equipe da emissora.
Com o caso ainda em plena apuração, o Ministério Público do Maranhão confirmou o avanço da Operação Tântalo II. A partir desta segunda-feira, dia 5, iniciaram os depoimentos dos investigados, com oitivas previstas até o dia 8. As datas foram remarcadas após as defesas alegarem falta de acesso aos autos durante o recesso.
Paralelamente, o MPMA pediu intervenção no município. A análise foi adiada pelo Tribunal de Justiça do Maranhão para depois do fim do recesso, no dia 7. Enquanto isso, o órgão segue com ações cíveis para tentar afastar definitivamente os gestores envolvidos, em um município que agora tenta se reorganizar sob o peso de ter se tornado, em rede nacional, um retrato da corrupção institucionalizada.
