O vereador Astro de Ogum divulgou um vídeo nas redes sociais, para rebater declarações do prefeito de São Luís, Eduardo Braide, que vem atribuindo à Câmara Municipal e ao governo do Estado um suposto complô para afastá-lo do cargo.
No pronunciamento, Astro de Ogum criticou a postura do prefeito e afirmou que a Câmara ainda não analisou o pedido de cassação protocolado no Legislativo.
O parlamentar também ressaltou que a denúncia não partiu de vereadores nem do governo estadual, mas de servidores da própria Prefeitura.
“Eu tô vendo esse espetáculo, né, feito aí por várias pessoas aí, né, o senhor prefeito. Senhor prefeito, eu só vou falar o seguinte, o senhor sabe muito bem que não tem nada a ver com o seu salário, essa questão que deram entrada lá na Câmara, né? Até porque foi funcionário da própria prefeitura que deu essa entrada, né? A Câmara ainda não analisou nada, eu não sou presidente de Câmara, apenas eu estou lá na CCJ, a Comissão de Justiça, certo? Nada foi analisado, problema de afastamento, tá?”, declarou.
O vereador explicou que o documento chegou à Câmara enquanto Aldir Júnior presidia a sessão e que, diante da gravidade do teor, a sessão foi suspensa para análise preliminar.
“Simplesmente o vereador Aldir estava presidindo a Câmara Municipal, eu estava lá presente, quando chegou esse documento. E na hora que esse documento chegou, gente, isso é coisa séria, suspende a sessão para analisar isso aí melhor, ver como é que é essa história, né?”, afirmou.
Segundo Astro, Braide tenta atribuir a parlamentares uma responsabilidade que não existe.
“O que é que tem a ver, alguém tem a ver com o seu salário? Se o senhor não quer seu salário, quem está lhe obrigando o senhor a ficar com o seu salário? E dói a parte do seu salário que o senhor não quer lá para uma instituição de caridade. O senhor não é obrigado a receber, então receba só o que o senhor quer. Afinal de contas, o pagador é o senhor. O senhor que paga. O senhor que é o ordenador de despesas. Então não tem esse negócio de o Câmara estar afastando, porque ninguém nem analisou nada, prefeito. O senhor está fazendo isso que o senhor está fazendo, culpando a C Municipal pela culpa que ela n tem”, completou.
Astro de Ogum também afirmou não se intimidar com críticas feitas por apoiadores do prefeito.
“Esse bombardeio não está me preocupando de nadinha, para mim não, sinceramente, para mim mesmo não, tá? Primeiro que eu não me elegi com voto desse seu pessoal, nem seu, né? Aonde eu estive fazendo campanha, eu fui atacado o tempo todo, pelo seu pessoal, pelo senhor, né? Então, meu voto não está aí, meu voto está com o povo de São Luís”, concluiu.
O CONTEXTO: a “fraude braidiana” e a origem do pedido de cassação
As declarações de Astro de Ogum ocorrem após a nova ofensiva do prefeito nas redes sociais, em que Braide tenta convencer a população de que está sendo vítima de um complô envolvendo a Câmara e o Palácio dos Leões.
O movimento levantado por aliados do prefeito — apelidado de “fraude braidiana” — tenta transformar um processo administrativo formal em embate político.
No vídeo publicado por Braide, ele afirma que o pedido de cassação teria sido motivado pela sua recusa em aceitar aumento salarial, sugerindo que vereadores e governo estadual estariam interessados em afastá-lo por causa disso.
A narrativa, porém, desmorona diante da origem real da denúncia. O pedido que deu início ao processo não foi feito por vereadores, nem por adversários políticos, mas por um procurador aposentado da própria Prefeitura de São Luís, que apontou indícios de irregularidades administrativas e condutas incompatíveis com a gestão pública.
À Câmara coube apenas cumprir o que determina a legislação: receber a denúncia e iniciar o rito formal previsto.
Braide, por outro lado, tenta transformar esse procedimento legal em disputa eleitoral antecipada e, ao mesmo tempo, se apresentar como gestor que “abre mão” do próprio salário.
Mas, conforme apontam críticos, o prefeito poderia simplesmente optar por não receber o reajuste — sem travar o aumento de outras categorias municipais.
O congelamento atinge servidores públicos que aguardam há anos uma recomposição salarial e cujas reivindicações são parte central do pedido de cassação.
(O Informante)
