Como saber se o parceiro te maltrata psicologicamente

Muitas vezes, a dependência do outro é antessala dos maltratos psíquicos e até físicos. A dependência total do outro nunca faz bem. Porém, há situações ainda piores. E, na verdade, é fundamental ter a capacidade de olhar para o relacionamento a fim de saber se trata-se apenas de um momento ruim ou de uma situação doentia que está destruindo sua saúde emocional.

Qualquer pessoa, seja homem ou mulher, que está numa relação e que aceita que seu parceiro (ou parceira) lhe insulte, falte com respeito, denigra ou humilhe é alguém que está sendo maltratado psicologicamente.

A psicóloga e autora do livro “Cuando amar demasiado es depender”, Silvia Congost afirma que essas coisas não acontecem de uma hora para outra. Muitas vezes a dependência emocional precede o maltrato psicológico e até mesmo a agressão física. Nesses casos, a pessoa afetada costuma ser a última a se dar conta do que está acontecendo. E geralmente só nota isso quando recebe ajuda profissional ou de alguém mais experiente (e em quem confia). Ainda assim, não é fácil admitir o resultado da análise da relação.

O mais grave, segundo a psicóloga, é que o dependente geralmente se torna cada vez mais dependente. A pessoa passa a aceitar a agressão como algo natural, habitual, acostumando-se a isso a tal ponto que lhe custa muitíssimo abrir mão do relacionamento. A dependência do outro geralmente é tão grande que frequentemente a pessoa acha que o agressor pode estar certo. A vítima até quer sair do problema, mas a autoestima a confunde e não deixa.

Bom, mas vamos tentar identificar as características de um relacionamento em que há maltrato psicológico.

Anula a autoestima – quem maltrata geralmente diz coisas ou faz a vítima sentir que não serve para nada, que é um inútil, deprecia o parceiro. A situação chega ao ponto em que a pessoa não acredita em si mesma e pensa que, se abrir mão do relacionamento, não terá para onde ir, será incapaz de viver por conta própria.

Recebe ordens – o agressor geralmente dá ordens. Manda comprar pão, fazer a mesa, cuidar dos filhos… Reclama da limpeza da casa, da camisa “mal passada”, do presente que ganhou… E a vítima acha que não tem o que fazer. Pensa que deve aceitar as condições impostas pelo parceiro, porque, do contrário, a situação vai se tornar ainda pior. Há certo medo na dinâmica do relacionamento.

Não tem liberdade – a vítima não tem permissão para frequentar lugares que gosta, falar com pessoas que ama, que admira.

Distancia das pessoas que gosta – o agressor fala mal da família do outro, dos amigos e de todos que são contrários ao relacionamento.

Julga o que você faz, como faz, o que fala, como fala... Esse tipo de parceiro te obriga a mudar.

Quem maltrata culpa o outro pelas coisas ruins que acontecem (até naquelas questões totalmente irracionais). Frequentemente transfere para o parceiro as coisas negativas. Transforma o outro em responsável pelos acidentes cotidianos, mesmo quando não participou dos acontecimentos. Tipo… Ele bateu o carro. Ela nem estava junto. Mas o fato de terem brigado pela manhã faz com que o sujeito transfira para a mulher a culpa pelo que aconteceu.

Na dinâmica do relacionamento, as pessoas precisam ficar atentas. Todas as vezes que, em nome de um grande amor, toleram mais coisas do que deveriam tolerar, aceitam situações que não seriam aceitáveis – e isso por muito tempo -, tem algo errado acontecendo.

Por RONALDO                                    

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